Sobre os livros

Os livros são os objetos que enfeitam as prateleiras das casas das pessoas cultas, que percebem dos assuntos e isso. São, também, as coisas que os pobres querem, que é para aprenderem a ser pessoas cultas, que percebem dos assuntos e isso, e ganhar dinheiro no Quem Quer Ser Milionário.

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Depois de ganharem o Quem Quer Ser Coiso, os pobres deixam de ser pobres e passam a ser patos-bravos, que é o que se chama quando um pobre ganha muito dinheiro e desata a comprar anéis, pulseiras de ouro e Mercedes. Eu tenho uma vizinha chamada Mercedes, mas acho que ela não se compra, porque ela diz sempre, quando está irritada: comigo ninguém faz farinha! Ora, se com ela ninguém faz farinha, que utilidade tem? Já se sabe que as pessoas que fazem farinha são as mais interessantes. E, além do mais, são as que fazem os bolos, por isso, como diz o meu primo Rui, que tem 15 anos, «props e nice pás pessoas farinhas».

Os livros são como as pessoas: há os gordos, os magros, os feios, os bonitos, os sem interesse e os que cheiram a bolor (se estiverem à chuva). Os livros normais são feitos de papel. Há outros para ler no aiPéde, mas esses chamam-se de aibúques e não cheiram a livro, mas sim a gordura dos dedos, que é o que se esfrega no aiPéde. Os dedos têm uma gordura natural que é diferente da gordura que os pastéis de bacalhau deixam. Essa gordura chama-se sebo e temos de levar as mãos porque senão cheira a ranço. Temos também de lavar as mãos antes de fazer xi-xi porque não queremos a pilinha a cheirar a sebo. Porquê? Porque o sebo é o cheiro do cordeiro e ninguém quer pensar que tem lã na pilinha, ou que ela faz mééééé.

Eu escrevi um livro pequenino e, por isso, vou publicar todos os meses um capítulo. Como é um livro sobre os meses do ano, dá mesmo jeito ser um por mês. Ah, e são capítulos curtos, que eu não tenho tempo para essas coisas de escrever muito. Se quiserem ganhar um livro destes é muito fácil: só têm de enviar-me fotografias de pessoas a dar trambolhões. Faz-me rir, mas o meu pai não me deixa ver os vídeos dos espalhanços no Youtube. Youtube quer dizer “tu tubo” em inglês. Tem esse nome porque o primeiro vídeo era de um canalizador gago a dizer para o ajudante lhe passar um tubo, como se fosse assim «ó, ó, ó, ó, ó, Ju, Ju, Ju, José… ppppppp, pppppp, pppppp, passssssa aí o tutu, tutu, tu, tu, tu tubo». Ou seja, ainda havia a hipótese de lhe chamar “passssssa aí” ao coiso dos vídeos, mas em inglês ficava esquisito (a minha tia diz que seria traduzido por “passsssssss theres”, o que é muito parecido com passadeira e, já se sabe, não se precisa de passadeiras na Internet porque não há estradas, tudo voa e navega).

Foto daqui: freeimageslive.co.uk – gratuit

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