Sobre o circo

Eu não gosto de circo, mas o meu pai disse que anda por aí muita palhaçada, e eu resolvi escrever sobre isso. Ou seja, sobre o circo, porque um “isso” eu não sei o que é. Mas sei o que é um osso. E um urso.

O circo é uma coisa que acontece numa tenda. Essa tenda é maior do que aquelas que se vêem na Costa da Caparica, porque têm que ter elefantes, leões, homens a vender balões, mágicos, palhaços, cavalos, homens a vender pipocas, trapezistas e uma banda que toque música que faz doer os ouvidos e os dentes.

As tendas de circo são sempre coloridas porque senão a polícia pensava que eram turistas espanhóis a acampar ilegalmente e, pumba, expulsava-os do país, que é Portugal, à cacetada. A cacetada dá-se com um cacete, que é um pau com um nome mais bonito e comprido.

Eu já fui duas vezes ao circo. Numa era Natal, e na outra não.

No circo há palhaços. Eu não gosto nada de palhaços. O meu pai às vezes grita com os palhaços quando eles andam a conduzir mal na estrada e nas ruas. Os palhaços que eu vi no circo andam sempre a gritar e têm o nariz muito vermelho. Além disso, vestem-se de cores esquisitas só para dar nas vistas. O meu vizinho Antunes também dá nas vistas, e também anda sempre aos gritos e com o nariz muito vermelho. A minha mãe diz que ele é um alcoólico. O meu pai diz que ele é bêbado. Como eu não gosto de alcoólicos, e muito menos de bêbados, também não gosto de palhaços. Há crianças que se riem dos palhaços, mas elas não percebem nada do que se passa. São infantis.

No circo também existem leões. Eles estão dentro de jaulas e nunca escapam. Se escapassem comiam logo o senhor das pipocas, porque ele é mais doce do que o senhor que vende balões. Na jaula com os leões está um senhor com um chicote que diz élá, oi, uoupá e áriups. Quando ele diz essas coisas os leões mexem-se e pronto. É só isso o que eles fazem porque eles não sabem fazer mais nada. Mas não são burros. São leões.

Quem também não faz grande coisa no circo são os elefantes. Eles andam ali às voltas, depois viram-se, voltam para trás e voltam outra vez para a frente e pronto. É muito aborrecido, e a culpa é do homem que cuida deles, porque os elefantes têm uma grande cabeça e deveriam aprender mais coisas. Eu que ainda sou pequeno já sei ligar o computador, e eles tão grandes só sabem dar voltas.

Mas, não é só de animais que é feito o circo. Às vezes também tem umas pessoas a fazer coisas. Umas são as contorcionistas. Estes são sempre umas senhoras que se dobram por todos os lados, como se fossem de borracha, e fumam cigarros com os pés. Se fumar com as mãos é mau, fumar com pés deve ainda ser pior, por causa do chulé.

No circo podemos ver também os mágicos. A única coisa que os mágicos fazem é tirar pombas de um chapéu, brincar com uns lenços, atar pessoas e fazer desaparecer coelhos. Eles têm sempre uma senhora ao lado, que sorri muito, e se chama de partenére. Esse é um nome estranho, e tenho pena da senhora porque ela deve ter sido muito gozada quando andava na escola. Eu às vezes também sou gozado, mas depois o badocha do Luís tropeça no recreio e passamos a gozar com ele.

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