Sobre as prendas

Prenda é a mesma coisa que o presente, mas como isso é o que também se diz quando a professora chama o nosso nome, inventou-se a palavra prendas. As prendas são aquilo que se dá nos aniversários, nos anos, no Natal, na Páscoa e quando se quiser, por isso podia-se dar o ano todo que ninguém se importava. Eu cá não me importava nada.

Purple Bow

Pode dar-se prendas a todo o tipo de pessoas, mas às más dão-se sempre umas prendas fraquitas, como velas ou aquelas coisas que parecem plantas mortas, mas que cheiram a desodorizante. Acho que se chama de “pótepurri” ou “póteporra”. Não sei bem.

Além das pessoas, também se podem dar prendas aos cães, mas nesse caso não se utiliza papel de embrulho porque eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada.

Eu gosto de prendas porque é bom rasgar o papel. No outro dia experimentei rasgar o jornal ao meu pai, mas a sensação não foi nada boa e até foi dolorosa. É que o meu pai ainda não tinha lido o jornal todo e, por isso, levei dois tabefes. Ler o jornal todo é uma chatice e demora tempo. Por isso, às vezes só se leem as palavras principais, que se chamam de gordas porque ocupam muito espaço. Nos jornais há também palavras magras, que são as mais pequenas. O meu pai diz que num papel que se chama de contrato existe outro tipo de palavras: as miúdas. As palavras miúdas devem ser filhas das magras porque são muito pequeninas e difíceis de ler. O meu pai diz que é preciso reparar sempre nas miúdas para sabermos o que assinamos. Eu, por outro lado, reparo sempre nas miúdas porque gosto de raparigas.

Foto: http://pixelperfectdigital.com

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